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02 / Fev / 2021
Com pandemia, greve dos caminhoneiros pode ser mais complexa do que a de 2018.

Com pandemia, greve dos caminhoneiros pode ser mais complexa do que a de 2018.

A greve geral dos caminhoneiros pode ser ainda mais grave e complexa do que a paralisação de maio de 2018, de acordo com duas associações de trabalhadores. No contexto da pandemia, o movimento pode afetar a distribuição de vacinas, interromper a logística de cargas de exportação e prejudicar ainda mais a renda de milhares de famílias.

O governo permanece cético em relação à greve. Representantes do Ministério da Infraestrutura conferem a iniciativa a "associações isoladas" e dizem que as entidades que aderiram publicamente à paralisação até agora têm baixa representatividade entre a categoria.

"A Associação Nacional do Transporte Autônomos do Brasil (ANTB) não é entidade de classe representativa para falar em nome do setor do transporte rodoviário de cargas autônomo e que qualquer declaração feita em relação à categoria corresponde apenas à posição isolada de seus dirigentes", disse à CNN Brasil Business.

Porém, na última semana, o Conselho Nacional de Transportes Rodoviários de Cargas (CNTRC) enviou um ofício ao governo confirmando a paralisação. Diante de um governo que se recusa a negociar com essas entidades, cresce a preocupação de economistas, empresários e investidores diante do impacto econômico e social que uma greve como esta pode causar. "O impacto de uma paralisação agora, nos moldes da que houve em 2018, seria devastador", avalia André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica Consultoria.

Para Galhardo, o primeiro golpe seria sentido em produtos que já estão com o preço distorcido, o que afeta justamente as classes mais vulneráveis da população. Como já demonstrado por dados recentes do Ipea sobre a inflação, o preço de alimentos e do combustível, por exemplo, tem pesado mais no bolso dos mais pobres: 6,2% frente a 2,7% dos mais ricos.

Entretanto, o presidente Jair Bolsonaro autorizou reduzir o PIS/Cofins sobre o diesel e fez um apelo à categoria, para que não aderisse à paralisação. "Reconhecemos o valor dos caminhoneiros para a economia, apelamos para eles que não façam greve, que todos nós vamos perder", pediu o presidente.

Segundo Galhardo, "essa greve vai coincidir com o fim do auxílio, com a pandemia, é uma combinação explosiva. O governo deve atuar para pelo menos renovar as promessas que fez há três anos."

Autor/Veículo: Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis).

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