Como a escalada da guerra contra Irã impactará combustível no Brasil?
Com a intensificação do conflito entre Israel e Irã e a recente entrada dos Estados Unidos na guerra, cresce a preocupação com os impactos no preço dos combustíveis no Brasil.
A principal ameaça agora é o possível fechamento do Estreito de Ormuz, responsável pela passagem de cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo. De acordo com Sérgio Araújo, presidente executivo da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), os estados das regiões Norte e Nordeste devem ser os mais afetados, já que dependem majoritariamente de refinarias privadas, que repassam ao consumidor o valor internacional do petróleo.
Nessas regiões, a atuação da Petrobras é mais limitada: a estatal conta apenas com a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, tendo vendido as unidades da Bahia e do Amazonas em anos anteriores. Araújo aponta ainda que o preço do diesel da Petrobras já apresenta uma defasagem de R$ 0,50 e o da gasolina, de R$ 0,20, com base no barril a US$ 77. Caso o preço do petróleo suba para além dos US$ 100, como especulado após o ataque dos EUA ao Irã, a defasagem pode se tornar insustentável para a estatal, inclusive sob pressão de seus acionistas.
A expectativa é que as refinarias privadas, que seguem os preços internacionais, reajustem os valores rapidamente. Já a Petrobras, que adota uma política de preços mais controlada, poderá enfrentar desafios para manter essa defasagem por muito tempo. Além disso, o economista Bruno Imaizumi alerta que a alta no diesel pode refletir na inflação geral, já que o transporte de mercadorias depende amplamente dos caminhões movidos a diesel.
Autor/Veículo: UOL e Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis)